Ligações mensais de pedintes telefônicas de vozes femininas bonitas são uma praga do mundo moderno. São educadas, simpáticas, elogiam sua voz, seu sotaque ou qualquer outra informação que puderem coletar pelo fone. É capaz de até surgir algum "sincero" : "mas que pigarro charmoso o do senhor!" Enfim... finda a fase de passar o algodãozinho com álcool, lá vem a picada da injeção: "senhor, nesse mês estamos com uma campanha pró lar das criancinhas órfãs aidéticas com câncer tetraplégicas, e gostaríamos de sua contribuição blablablá" e você, puxando para si o sofrimento das coitadas doentes terminais, sentindo-se culpado por todas as mazelas do mundo, tenta aquela compensação psicológica pra fazer a linha "fiz minha parte".
Mais foda que sentir-se um desumano por não ter contribuído é poder chegar até esse ponto, o de não ter contribuído, dada a insistência fofa das mocinhas. Sim, eu quero ter a chance de me sentir uma má pessoa, mas até então não tive a desenvoltura para tal. Essa semana aprendi com um amigo, e cá divulgo:
"-Alô, sr. Fulano? Aqui é do lar dos velhinhos cegos manetas terminais de doença de chagas nossa senhora da conceição."
"-Sim?"
"-Um bom dia para o senhor! (impostação pseudo-sincera e voz feliz)."
"-Bom dia..."
"-Senhor, gostaríamos de contar com sua colaboração..."
"-Eu não contribuo com caridade!"
"-Por que, senhor?"
"-Porque sou mau."
E meu amigo pôde desfrutar de sua crise de consciência com sua fortuna intacta...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Kiehhhhhh
Postar um comentário